
outra casa no castelo
I. Março, 2008
Outra casa no castelo parte de um projecto pluridisciplinar iniciado em Outubro de 2007 que consistiu numa mostra de trabalhos e no desenvolvimento de dois projectos pedagógicos com alunos do curso de Artes Plásticas e alunos do curso de Animação Cultural da ESAD.CR. Ainda que o objectivo e a organização sejam em tudo semelhantes à experiência anterior, outra casa no castelo não poderia ser uma mera repetição.
Uma nova equipa marca o carácter deste evento; participam em outra casa no castelo Adélia Caldeano, Lucy Pereira, Jorge Américo, Jorge Lopes, Mariana Camacho, Rui Carvalho, Sérgio Gato, Tiago Baptista e uma convidada exterior, Viola Jaecker. Além de inaugurar uma exposição procurei acompanhar processos e etapas de maturação dos trabalhos desenvolvidos que, pelo enquadramento exterior à escola, tiveram um maior grau de intensidade e uma dose de risco associado a um projecto site-specific.
Arriscamos soluções e abordagens, maturando ou construindo um vocabulário novo.
Os alunos finalistas de AP tiveram acesso livre ao espaço desta casa semi-abandonada transformando-a num local de trabalho; transformando este espaço numa casa-atelier habitada num duplo sentido: num primeiro tempo, pelas pessoas e pelas obras – uma vivência quotidianamente presente e afectiva. A presença regular deste grupo e, esta exposição com actividades pedagógicas, dá livre acesso a todos os visitantes a um espaço com forte personalidade: casa de construção tradicional.
Houve a preocupação de cuidar os dois objectivos principais: oferecer um espaço de experimentação para todos os envolvidos e cimentar o contacto com a comunidade local – consciencializando estes jovens intervenientes da sua responsabilidade activa na comunidade em que se inserem e, para na qual trabalham. Este contacto directo e activo com a vizinhança próxima (os colegas) ou externa (visitantes) exigiu aperfeiçoar o difícil exercício de mostrar o trabalho: articular ideias sobre o conteúdo do que se faz, ter a capacidade de oferecer mais do que uma imagem. Desenvolver a capacidade humilde de uma partilha.
Estes meses de elaboração serão documentados pela TRANSFORMA em casadocastelo.blogspot.com, blog criado e gerido pelos participantes.
Outra casa no castelo, como o título indica não é uma mera repetição da experiência: é uma outra, nova e distinta, experiência.
II. Junho, 2008
Para além dos trabalhos expostos em outra casa no castelo e do forte carácter site-specifc dos projectos desenvolvidos apostamos, também, numa mostra diversificada de trabalhos de vídeo-animação.
Tanto a disciplina de vídeo, como a de animação, estão integradas em vários cursos ministrados pela ESAD.CR; são disciplinas de carácter exploratório e experimental, abordadas enquanto suporte para que os alunos desenvolvam um projecto de colaboração ou um projecto de autor. Esta selecção de curtos filmes de animação ilustra a diversidade técnica e de abordagens estilísticas.
Aproveitando esta ocasião excepcional foram seleccionados trabalhos desenvolvidos por um grupo de alunos finalistas e ex-alunos do curso de Artes Plásticas e do curso de Som e Imagem.
Foram convidados: Carlos Filipe, Cristiano Mourato, Maria João Clemente, Marisa Cardoso, Nuno Franco, Nuno Vicente, Rui Rangel e Viktoria Traub.
São também apresentados trabalhos colectivos de: - Luís Carreira e Rodrigo Machado; - Carlos Martins, Joana Cunha, Pedro Dias; - Alexandre Castro, Edgar Filipe,Gustavo Maia, Liliana Rosa; - Pedro Santos, José Serranito, João Lourenço; - Andreia Páscoa, João Cabaço, Daniel Silva; - Victor Santana, Romeu Cristóvão e Bruno Guerreiro, com música de Micro Áudio Waves
A ESAD.CR apoia e procura desenvolver projectos de alunos e parcerias, destaco: 'Cinemação', desenvolvido pela Unidade de Cooperação Internacional e Apoio a Populações mais Vulneráveis da Comissão Nacional de Luta Contra a Sida, que visou a realização de 4 spots para a televisão de S. Tomé e Príncipe. As animações de Marisa Cardoso, Carlos Filipe, Nuno Vicente foram concebidas no âmbito da Cinemação e foram divulgadas pela RTP África. Uma curta e lúdica narrativa pode ser uma ferramenta vocacionada a educar o público mais jovem, proporcionando um diálogo enriquecedor sobre (quase) qualquer tema.
A casa é um duplo do corpo: é o corpo exterior que nos protege e abriga, seja uma casa casca ou útero, cabana ou castelo. Qualquer espaço habitado guarda memória da vivência - o quotidiano usa o espaço: deixa marcas nas paredes, riscos no soalho, cheiros.
A casa é um cosmos. É neste lugar primeiro que se constroem as relações afectivas e sociais; o espaço é subtilmente dividido em vários territórios segundo as várias actividades, as necessidades dos que aí habitam e o seu papel.
Uma casa fixa-nos num território, pode ser sinónimo de lar, morada ou endereço. A casa no castelo foi, para mim, uma extensão da prática docente, com um grau de (a)tensão mais intenso; obrigando-me a conjugar a vertente pedagógica com a exigência do trabalho de comissariado. Exceptuando a selecção dos alunos talvez não tenha
uma extensão do atelier, no sentido em que a casa no castelo foi um espaço de ensaio: de uma nova vertente na minha prática docente, de experimentação e maturação do trabalho deste grupo de ex-alunos.
Dia 07 primeira reunião concerne o banco de voluntariado,
marcação de visitas de estudo de escolas do 1º ciclo e da universidade sénior
dois catálogos editados a 28 de Junho.
Isabel Baraona, 2008
